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  • Marco André

O Cabo De Guerra Do 5G



A tecnologia do 5G chegou para transformar a vida de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Com a promessa de redes ainda mais rápidas que as existentes, a nova geração de internet móvel fez com que o mundo voltasse seus olhos para ela e se iniciasse uma verdadeira guerra entre as principais empresas do ramo tecnológico para obter o controle dessa nova tecnologia. Porém, o principal combate ocorre entre as duas principais potências econômicas do mundo: EUA e China.


O 5G será de suma importância para o desenvolvimento tecnológico dos países ao redor do mundo, não apenas por oferecer downloads mais rápidos mas sim por proporcionar um futuro em que trilhões de dispositivos estarão permanentemente conectados à rede, entre drones, carros autônomos, lâmpadas, aparelhos domésticos e qualquer outra coisa. Do ponto de vista econômico, o potencial de geração de riqueza do 5G é imenso e gira na casa dos trilhões de dólares. O que sustenta ainda mais a ideia de que essa tecnologia será extremamente fundamental para o desenvolvimento das economias nas próximas décadas.


Diante de tamanho potencial econômico e poder de influência gerado pela tecnologia do 5G, as duas maiores potências econômicas do mundo (EUA e China) entraram em uma guerra comercial para deter o monopólio dessa tecnologia.


A Ascensão Da China Como Grande Potência Tecnológica


No passado, os produtos chineses eram taxados como produtos de péssima qualidade e falsificados, o que não era uma afirmação equivocada mas sim unanimidade em todos os cantos do mundo. Porém, na atualidade, a China se encontra em uma posição de grande potência tecnológica e consegue bater de frente com diversos países pelo mundo, até mesmo os Estados Unidos da América. Diante disso, muitos fazem o seguinte questionamento: o que aconteceu para essa mudança tão drástica de paradigma?


O X da questão está no maciço investimento do governo chinês em educação. Para a sociedade chinesa, investir em educação é garantir uma vida longa e próspera. Segundo o Banco Mundial, a China investe 4,3% de seu PIB em educação. Com essa cultura, hoje a China possui 40 instituições de educação superior classificadas no QS World University Rankings, lista anual com as 4.500 melhores instituições de ensino superior do mundo, organizada por analistas globais. Dessas instituições chinesas, seis estão no “top 100” mundial.


Enquanto continua a crescer no cenário econômico global, a China passa por uma das mais ambiciosas expansões de educação superior do mundo. Estimulado por um apelo do governo, no fim dos anos 90, em favor da construção de universidades de padrão internacional e da ampliação do acesso das massas, o país abre as portas de instituições que outrora serviam a uma reduzida elite. Desde 1998, quando o então presidente Jiang Zemin discursou no centenário da prestigiada Universidade de Pequim e lançou um apelo por mudança, o número de estudantes no ensino superior triplicou. O país agora supera líderes como Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão em número de alunos em faculdades e universidades. A China tem, atualmente, cerca de 20 milhões de estudantes no ensino superior.


Diante de um cenário de crescimento da mão de obra qualificada no país, empresas multinacionais, como a Huawei, surfam nessa onda e crescem ao ponto de se tornar uma das maiores empresas do mundo. A companhia chinesa Huawei, fundada em 1987, opera redes em 170 países e emprega mais de 194 mil pessoas. Recentemente, ultrapassou a Samsung como a maior vendedora de smartphones do mundo. Grande parte do sucesso da gigante asiática se deve pelo seu compromisso com a inovação, pois a empresa investe cerca de 10% do seu lucro anual em pesquisa e desenvolvimento.


A Guerra Entre EUA e China


“A República Popular da China (RPC) está explorando cada vez mais o capital dos Estados Unidos para obter recursos e permitir o desenvolvimento e a modernização de seus aparatos militares, de inteligência e outros de segurança”. Essas foram as palavras utilizadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para justificar a medida que proíbe americanos de investirem em 31 empresas chinesas. Essa é uma das diversas medidas adotadas pelo governo americano para frear o avanço da China na disputa pelo mercado do 5G e sair na frente nessa guerra. Tudo começou pelas redes sociais e se estenderam para os aparelhos da Huawei. Hoje, os aparelhos da multinacional chinesa estão proibidos de utilizar o sistema operacional Android.


A empresa chinesa está desenvolvendo a tecnologia do 5G desde 2009, tanto internamente como por meio de entidades de padronização. A Huawei detém o maior portfólio de patentes relacionadas ao 5G, o que dá fim à hegemonia dos EUA e da Europa no domínio da tecnologia das redes móveis anteriores, como 2G, 3G e 4G.


A dominância da Huawei na tecnologia do 5G poderia vir a ser uma barreira para a supremacia dos EUA na área de inteligência. Isso porque a empresa chinesa não seria tão receptiva sobre pedidos das agências de inteligência dos EUA, como são os seus concorrentes europeus. Com isso, os EUA passaram a acusar a Huawei de construir caminhos alternativos que permitiriam o regime chinês de espionar os aparelhos. Na última investida do governo americano, o secretário de estado Mike Pompeo ameaçou parar de compartilhar informações com qualquer membro que utilizasse a infraestrutura 5G da Huawei. “Se um país adotar e colocar em alguns de seus sistemas críticos de informação, não vamos poder compartilhar informações com eles”, contou.


O Brasil e a Guerra Comercial Do 5G


Dificilmente a maior potência econômica da América Latina ficaria fora desse embate. Tendo como maior parceiro comercial a China, o atual governo brasileiro, liderado por Jair Bolsonaro, tenta uma incessante aproximação com os Estados Unidos. Diante da ameaça chinesa, a maior potência econômica do mundo tem elevado o tom no que diz respeito aos países que venham a adotar a tecnologia fornecida pela China.


O governo americano alega que a tecnologia da Huawei representa uma ameaça à segurança nacional nas nações que a adotam, pela proximidade da empresa com o governo chinês, e protagoniza uma campanha para influenciar seus aliados a escolher tecnologias alternativas à oferecida por Pequim. O governo brasileiro sinaliza proximidade aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o vice-presidente Hamilton Mourão negocia com empresários e políticos chineses há mais de um ano.


Diante dessa guerra comercial, no final do ano de 2020, o governo brasileiro assinou acordos com os Estados Unidos de facilitação de comércio e de investimentos em uma série de áreas, inclusive a rede 5G de internet móvel. Tal fato se mostra como uma tentativa dos americanos de convencer o Brasil a não adotar a tecnologia chinesa. O documento é uma carta de intenções assinado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e a presidente do EximBank, o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos, Kimberly Reed, em cerimônia no Palácio do Itamaraty. Os Estados Unidos acenam com US$1 bilhão, mais de R$5,5 bilhões, para financiar projetos no Brasil nas áreas de energia: nuclear, gás e óleo; infraestrutura; logística e mineração; e, especialmente, para telecomunicações. E aí que está o interesse americano: a tecnologia 5G.


Fica evidente que, independentemente do lado escolhido, o Brasil pode vir a sofrer retaliação nessa guerra comercial. Caberá então ao governo adotar medidas diplomáticas que possam ser benéficas para ambas as partes e manter uma relação saudável com ambas as nações. Com isso, conseguirá usufruir dos enormes benefícios gerados por essa nova tecnologia e continuar lado a lado com seus dois principais parceiros comerciais.


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