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  • Manoela Dias

Impactos dos Desmatamentos Ilegais nas Exportações Brasileiras


Manter as exportações em um nível saudável é de extrema importância para um país obter parcerias comerciais e para manter a balança comercial favorável. Em relação ao Brasil, um país com vasta exportação de commodities, danos como o desmatamento da floresta amazônica podem alterar seus resultados econômicos.


O desmatamento ilegal ainda é uma trágica realidade que assola a flora e a fauna, o que tem gerado um foco de atenção a níveis internacionais sobre prevenção ambiental. Com isso, pela ótica econômica, desde 2020 tem crescido ainda mais o temor pela perda de acesso ao mercado externo de alto valor agregado.


Essa é uma prática criminosa que gera muitos danos à economia interna e externa. Ela traz o risco de descredibilizar a imagem do Brasil no cenário internacional, afetar o fluxo de investimentos do mercado externo e causar grandes danos à produtividade da agricultura e pecuária.


O Início do Desmatamento no Brasil


Para entender a situação atual gerada por essa prática ilegal, precisamos analisar o seu início. A facilidade de créditos, os incentivos fiscais e a abundância de terras nas regiões amazônicas fizeram com que, na década de 1970, fosse incentivado um grande processo migratório para essas regiões, acarretando um adensamento urbano.


Já com a criação das estradas, as práticas de desmatamento eclodiram, sendo apresentados os sinais dessa ilegalidade ao longo da rodovia BR010, PA150 e BR364, todos em uma largura aproximada de 100km. Um dos motivos principais seria a expansão das fronteiras agrícolas, que eram ampliadas a cada novo proprietário das terras.


Primeiros Sinais dos Impactos nas Exportações


De acordo com um estudo produzido na revista científica Science, é apontado que pelo menos 17% da carne bovina e 20% da soja da Amazônia e do Cerrado exportadas para a União Europeia podem ter sido produzidas em áreas desmatadas ilegalmente, o que prejudicaria a venda de produtos brasileiros no exterior. Este fato pode afetar negativamente a imagem das exportações brasileiras no cenário internacional.


Consoante a isso, o foco midiático sobre as queimadas brasileiras no ano de 2020 também foram cruciais para a criação de uma percepção negativa sobre o Brasil no mercado exterior, ainda por se tratar de um vasto exportador de commodities. Vale ressaltar que a pandemia amplia ainda mais os danos nesse âmbito.


De acordo com o ambientalista e consultor de sustentabilidade Fábio Feldman, o país já vem passando por problemas de vulnerabilidade de imagem em todos os setores. Para ele, em 2020, eram necessárias ações rápidas para reverter a reputação do Brasil diante das repercussões do desmatamento para evitar danos posteriores, como os impactos nas relações internacionais. O especialista ainda frisa as alterações do país em relação ao mercado europeu em específico, pois, segundo ele, os consumidores europeus são sensíveis às questões ambientais.


Impacto do Desmatamento sobre as Relações Internacionais


De acordo com a senadora Kátia Abreu, que preside a Comissão de Relações Exteriores (CRE), que se pronunciou sobre os efeitos do desmatamento ilegal sobre o comércio exterior, a questão ambiental é o pilar fundamental da geopolítica mundial. Também frisou a importância da integração do Brasil no cenário internacional para o seu próprio crescimento.


Para a senadora, um dos grandes problemas econômicos provenientes do desmatamento ilegal é o retrocesso em relação a expansão no cenário internacional. Como exemplo, cita o fato do Brasil ter “ficado para trás” em acordos bilaterais e regionais de comércio que foram estabelecidos com outros países como Peru, Colômbia e Chile.


O país, por exemplo, não possui acordos de livre comércio com os Estados Unidos nem com a União Europeia, por isso é necessário buscar cada vez mais aproximações na esfera internacional. Esse estado de busca por acordos possui uma alta sensibilidade em relação aos danos ecológicos, pois compromete a imagem do Brasil no mercado exterior.


Desmatamento Gera Temor nas Empresas em Relação à Redução das Exportações


Movidas pelo receio de que as exportações brasileiras reduzissem de forma considerável, 38 grandes empresas assinaram um documento solicitando medidas para conter o desmatamento enviado ao governo no ano de 2020, de acordo com o portal de notícia Exame. Ainda, no ano atual, é esperado medidas eficazes de política ambiental.


De acordo com Marina Grossi, presidente do Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) é possível produzir sem destruir. O objetivo a ser alcançado é fazer com que o Brasil possua uma economia de baixo carbono.


A situação delicada divide as empresas, pois, ao passo que a prática do desmatamento ilegal é atrelada a empresas que burlam leis de comprometimento ecológico para ampliar seus lucros, a perda de espaço no mercado externo é um grande temor para muitas outras empresas. É esperado o endurecimento das regras que proíbem o desmatamento legal.


Impactos Ecológicos das Queimadas


A agricultura e a pecuária são pilares importantes da economia brasileira, já que depende de sua produtividade. Porém, estas são drasticamente afetadas pelos efeitos ambientais das queimadas e do desmatamento. Primeiramente alterando o regime das chuvas, o solo termina por ser prejudicado, reduzindo o regime de safra por ano.


A Planet Tracker, sendo especializada em analisar os riscos de investidores relacionados aos danos ambientais, fez uma análise sobre estudos de clima, expondo que uma das principais causas da alteração do regime de chuva é proveniente do desmatamento concentrado em certas áreas, o que dificulta diretamente a capacidade do país de manter o plantio de duas safras anuais. Esse fator impacta de forma ampla as exportações e o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB).


Medidas Atuais contra o Desmatamento Ilegal no Brasil


No dias 14 de abril do ano de 2021, foi publicado pelo Governo Federal o Plano Amazônia 2021/2022, que estabelece diretrizes para ações de combate e fiscalizações do desmatamento ilegal, assim como queimadas e outros crimes ambientais cometidos na extensão da Amazônia Legal. Este plano substitui a Operação Verde Brasil encerrada no dia 40 de abril.


Priorizando as áreas de maior incidência de crimes ambientais, o Plano Amazônia tem como objetivo aumentar a fiscalização e fortalecer órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Fundação Nacional do Índio (Funai). A expectativa é a redução considerável do desmatamento ilegal até 2022.


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