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  • Gabriela Cristina

Exportação de Carne Bovina: A China e o Cenário do Brasil no Setor


Em outubro de 2021 as exportações brasileiras alcançaram US$ 230,62 bilhões, um reflexo do aumento da movimentação em 36,3% e as importações subiram 37,7%, atingindo US$ 172,26 bilhões. Em termos de valor, a carne bovina é o quarto produto mais exportado pelo Brasil em 2021, ficando atrás apenas da soja, do minério de ferro e do petróleo, produtos que movimentam cada vez mais a economia brasileira.


No entanto, apesar do Brasil obter relações bilaterais estáveis, complicações internas a respeito dos produtos do país podem gerar restrições que impactam na economia e exigem a interferência de órgãos governamentais para a resolução do problema. Você sabia que a carne bovina é um grande e atual exemplo de suspensão de exportações? Continue lendo e entenda um pouco mais sobre a exportação de carne bovina brasileira e a importância da mesma para o cenário do país.


O Protagonismo Chinês nas Importações das Carnes Brasileiras


O Brasil é o maior exportador global de carne bovina, mantendo estabilidade na movimentação do produto tanto em valor como em quantidade. Países como China, Chile, Estados Unidos e Egito são os maiores importadores da commodity e todos eles fazem negociações com o Brasil. Em 2020 a exportação de carne bovina brasileira bateu recorde alcançando 2 milhões de toneladas e US$ 8,4 milhões, ocasionando um crescimento de 11% na exportação em comparação com o ano anterior.


Apesar da pandemia da COVID-19, pode-se notar que o setor não estagnou. O aumento da exportação, principalmente no ano de 2020, é um reflexo da desvalorização do real, que obteve uma queda de 22,4% em relação ao dólar e da alta demanda por commodities brasileiras, onde a China ocupa o primeiro lugar no ranking de importadores. Nesse sentido, o que chama atenção é que, por mais que o Egito tenha importado 127,9 mil toneladas e o Chile 90 mil toneladas, a China conseguiu ultrapassar ambos e importar 58,6% do volume total de carne bovina exportada pelo Brasil.


A partir dessas informações, não restam dúvidas de que a China é a maior protagonista nas importações de carne bovina brasileira. O país atua nas exportações em conjunto com a sua cidade estado Hong Kong, importando sozinha US$ 5,1 bilhões de dólares em 2020, um total de 1,18 milhão de toneladas.


No entanto, para obter bons resultados nas operações e a estabilidade de um acordo comercial, é necessário seguir protocolos para garantir a saúde da população e dos animais envolvidos no processo. É a partir desse ponto que surgem as problemáticas para a exportação de carne bovina em 2021. Mais a frente, poderemos entender o porquê de algumas projeções indicarem queda nas exportações brasileiras do produto neste ano.


O Mal da Vaca Louca e as Restrições às Exportações


No dia 03 de setembro foi confirmado pelo governo brasileiro dois casos atípicos e isolados do “mal da vaca louca”, uma enfermidade degenerativa e fatal que atinge o sistema nervoso central dos bovinos, em Mato Grosso e no Espírito Santo. Animais que se alimentam dos restos mortais de outros animais infectados, também contagiam a doença e da mesma forma, os seres humanos podem ser contaminados, dessa vez a doença sendo denominada como Variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).


Por motivos como esse, existem protocolos sanitários para preservar a população e garantir a entrada de alimentos e produtos não infectados no país. Assim, mesmo que tais casos não apresentem risco de contaminação, a regra é suspender as exportações de carne bovina assim que os casos forem identificados. E foi exatamente essa a iniciativa do Governo Brasileiro.


Interrompidas um dia após a descoberta da doença, já são mais de 50 dias sem exportação de carne bovina para o país asiático. Nesse tempo, apenas um lote de carne bovina brasileira que já estava em armazenamento portuário adentrou ao país. Apesar do pronunciamento da OMS (Organização Mundial da Saúde) de que o Brasil não representa risco significativo para a doença, o embargo segue e ainda sem previsão de normalização. Nesse sentido, como o Brasil poderá ser afetado com essa paralisação?


As Consequências do Embargo


As carnes que já haviam sido certificadas antes do dia 03 de setembro ainda foram exportadas para a China, o que resultou num total de 187 mil toneladas exportadas em um único mês, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), configurando um aumento de 31,38% em relação ao mesmo período de 2020.


Atualmente, o rompimento do embargo apenas depende da autorização da China. A respeito dessa retomada, alguns especialistas indicam que existem outras problemáticas envolvidas, como uma possível retaliação ao governo atual, o alto preço da carne e a estimulação por parte da China ao consumo de carne suína.


Enquanto a suspensão ainda está em vigor, já podem ser notados alguns dados de queda e prováveis melhorias nos preços internos do produto. Sem a participação da China, a tonelada de carne bovina exportada em outubro caiu pela metade quando comparada com o mês anterior e com o mesmo período de 2020. Se a paralisação continuar até dezembro, existe o risco do Brasil perder 10 bilhões de reais em exportação.


Apesar do embargo fazer com que mais carnes permaneçam em território nacional, o consumidor brasileiro não será o beneficiário dos baixos custos da carne, visto que os grandes mercados utilizarão essa oportunidade para repor seu estoque. Nesse sentido, se você se considera um grande consumidor de carne e esperava obter alguns benefícios com essa paralisação, clique aqui para acompanhar o nosso blog e se manter atualizado sobre a movimentação da economia e do mercado consumidor brasileiro.


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