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  • Lucas Maciel

Como a Covid-19 tem impactado o Comércio Exterior

Atualizado: Set 18



O comércio exterior nada mais é do que vários países comercializando entre si mercadorias e serviços. Porém, por trás dessa simples constatação, existem uma série de fatores que propiciam a criação de uma rede de contato entre países territorialmente distantes.


Dentre esses fatores, encontra-se diversas questões como: sócio-políticas, econômicas e sanitárias. É sobre esta última que abordaremos nesse texto, isto é, como uma nova doença, a Covid-19, impacta o Comércio Exterior de bens, produtos e serviços.


A Covid-19 e o mundo


No final de 2019 o mundo todo foi surpreendido por uma nova doença, que posteriormente viria a se chamar Covid-19. Como consequência de sua rápida disseminação e ausência de remédios ou vacina para combate, vários governos tomaram medidas de restrição, visando a diminuição do fluxo de pessoas e, consequentemente, a diminuição do contágio do vírus.


Com menos pessoas circulando, logo, trabalhando menos e produzindo menos, os pequenos negócios começaram a sentir na pele os efeitos do vírus, assim como as grandes indústrias que tiveram que diminuir sua produção ou até mesmo paralisá-la.


Desse modo, uma grande bola de neve se criou. Primeiro a Covid-19 impactou a saúde das pessoas e, posteriormente, impediu com que a economia funcionesse normalmente. Assim, as restrições e/ou pausas no funcionamento do comércio e das indústrias em escala global, fez com que a oferta de produtos para exportação caísse drasticamente.


Mas não só isso, o impacto na economia foi tão grande ao ponto de causar uma recessão global.


O impacto da Covid-19 na economia global


Em um mundo globalizado, os países se tornaram cada vez mais interconectados – com pequenas exceções. Assim, há naturalmente uma grande ligação entre diversas cadeias produtivas nas mais variadas nações, diretamente dependente da circulação de mercadorias e pessoas pelas fronteiras, as quais, foram submetidas a rigorosos sistemas de controle com a disseminação da Covid-19.


Nesse sentido, o Comércio Exterior tende a sofrer um forte impacto com a crise, afinal de contas, há uma redução na demanda mundial pelo consumo, somada as restrições na capacidade de oferta de produtos, em função das medidas de isolamento social.


Com esse cenário instaurado, a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para uma resseção de 3% no Produto Interno Bruto (PIB) global, sendo o pior cenário já visto desde a crise de 1929 (A Grande Depressão de 1929).


Além disso, algumas importantes instituições têm se debruçado em estudar a real gravidade da crise causada pela Covid-19 no comércio mundial. O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta para um recuo de 20% do Comércio Exterior mundial caso o PIB global tenha uma retração de 2%, e um recuo de 25% no Comércio mundial caso o PIB tenha uma retração de 3,5%.


Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta dois possíveis cenários: o primeiro cenário otimista, com uma retração do comércio mundial em 12,9%, considerando o PIB global em -2,5%; e o cenário pessimista com uma retração de 31,9%, estimando o PIB em -8,8%.


Como vai o Comércio Exterior do Brasil?


Mas você deve estar se perguntado, “como está o Brasil nessa crise?”. Pois bem, levando em consideração todo esse cenário, o Banco Mundial prevê uma retração em 5% do PIB na economia brasileira. Isso, segundo o estudo do Banco Mundial, partindo da perspectiva que o Brasil terá que enfrentar três problemas: baixa demanda externa; preços do petróleo e a paralisação econômica causada pelas ações de combate a Covid-19. De semelhante modo, o FMI estima uma resseção de 5,3% em 2020.


Sobre as previsões para o comércio exterior, as incertezas do momento tornam as projeções difíceis, gerando estimativas aproximadas e diferentes cenários conjecturados. O estudo do Ipea, por exemplo, o qual leva em consideração projeções do FMI e da OMC, expõe diferentes previsões.


Exportações


Para o FMI as exportações brasileiras devem ter uma diminuição entre 20,6% e 11,7% esse ano. Já para o cenário otimista da OMC, as exportações teriam uma queda entre 17,7% e 17,2%, ou um recuo entre 29,8% e 31,6% para o cenário pessimista.


Importações


De acordo com o FMI, as importações teriam uma queda entre 20,5% e 19,4%. Enquanto para a OMC uma diminuição entre 17,4% e 22,2% em um cenário otimista, e 29,3% a 43,8% em uma avaliação pessimista.


Balança Comercial


Por conseguinte, na subtração entre as exportações e as importações, o FMI prevê uma balança positiva que pode apresentar uma queda de 21% no superávit ou até mesmo um aumento em 17%. Enquanto a OMC estima, para um cenário positivo, um recuo do superávit em 18% ou um aumento que pode chegar em 45%. Por fim, o cenário pessimista da OMC, faz uma projeção de queda em 33% ou uma projeção de aumento em até 13%.


O Comércio Exterior no início do ano de 2020


Para efeito de comparação com as estimativas, já é possível avaliar como o Comércio Exterior brasileiro foi afetado, analisando o mês de abril, o mês de maio e a soma dos 5 primeiros meses de 2020.


A balança comercial fechou em abril com um superávit de 6,7 bilhões de dólares (US$), um aumento de aproximadamente 19% em relação ao mesmo mês em 2019 e o melhor resultado para o mês de abril nos últimos 3 anos. Com as exportações em US$ 18,3 bilhões e US$ 11,6 bilhões importados. Indicando uma queda no fluxo comercial se comparado ao mesmo mês de 2019, isto é, queda de 5% nas exportações e 15% nas importações.


Não obstante, o mês de abril registrou o maior superávit em transações correntes – são todas as operações comerciais realizados entre o Brasil e o exterior – da série histórica desde 1995, US$ 3,840 bilhões.


Já o mês de maio, fecha com o pior superávit para este mês dos últimos 5 anos, US$ 4,54 bilhões. Tendo US$ 17,94 bilhões em exportações e US$ 13,39 bilhões em importações. (Valores passíveis de reajuste).


Com isso, no acumulado dos 5 primeiros meses de 2020, o Brasil tem uma balança comercial positiva, porém a menor desde 2015, apresentando uma queda de 19,5% comparado ao mesmo período de 2019.


De modo geral, as avaliações e projeções consideram um grande impacto da Covid-19 no primeiro semestre do ano no Comercio Exterior internacional e uma recuperação ao longo do segundo semestre. Porém, para isso, é preciso que as medidas de restrição sejam seguidas com afinco, a fim de que a curva de contágio seja achatada e a economia possa retomar, aos poucos, seu funcionamento ao longo do segundo semestre.


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