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  • Marco André

Brasil e Estados Unidos: Uma Parceria De Longa Data



Não é de hoje que as relações entre os Estados Unidos e o Brasil são estreitas. Lá no ano de 1824, com o Brasil acabando de se tornar um país independente em 1822, os Estados Unidos da América seriam o primeiro país a reconhecer a independência brasileira. Mas não foi só isso, os EUA foram também um dos primeiros a firmar uma parceria tanto econômica quanto política com a então nascente potência sul americana. E no decorrer dos anos, essa relação foi se prolongando ainda mais e impactando de forma direta as duas principais potências econômicas das Américas.


Os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil, nos últimos anos ficou atrás somente da China nesse quesito. No ano de 2019, os EUA foram o segundo principal destino das exportações brasileiras e o principal destino dos produtos manufaturados brasileiros.


Mesmo diante de um retrospecto extremamente positivo da parceria entre os dois países, questões devem ser levadas em consideração: qual a relação comercial existente entre os dois países? Como anda essa relação bilateral atualmente? Como as eleições americanas podem influenciar as exportações brasileiras?


Qual é a Relação Comercial Entre o Brasil e Os Estados Unidos Nos Últimos Anos?


Desde sua independência, o Brasil sempre teve relações diretas com a maior potência econômica do mundo. Na primeira metade do século XX, os EUA eram o principal parceiro comercial brasileiro e largava na primeira posição frente aos demais destinos das exportações brasileiras. Porém, com a diversificação do comércio exterior, essa parceria foi perdendo sua enorme importância e o Brasil teve que buscar novos parceiros, ou seja, variar ainda mais o destino de suas exportações.


A balança comercial brasileira nessa parceria tem sido bastante irregular nos últimos anos, apresentando superávits e déficits, porém com mais déficits do que superávits desde 2015. No ano de 2019, a balança comercial fechou em um déficit de US$525,53 milhões. Já no ano de 2018, o Brasil teve um déficit ainda maior que o de 2019, chegando a US$839 milhões. O ano de 2017 é o único que apresenta saldo positivo na série, rendeu para os cofres brasileiros cerca de US$922 milhões. No ano de 2016 o Brasil teve um déficit de US$543 milhões e em 2015 déficit de US$2,1 bilhões.


Os produtos exportados pelo Brasil aos EUA são bastante diversificados, sendo o principal produto exportado o petróleo, seguido de produtos semimanufaturados de ferro ou aço. Para uma análise mais ampla, serão trazidos dados dos 5 principais produtos exportados pelo Brasil nessa parceria, dados de 2019:

  1. Óleos brutos de petróleo, que representaram US$2,79 bilhões em valor FOB;

  2. Produtos semimanufaturados de ferro ou aço, que renderam US$2,57 bilhões em valor FOB;

  3. Aviões, que arrecadaram US$1,81 bilhões em valor FOB;

  4. Demais produtos manufaturados que trouxeram US$1,47 bilhões em valor FOB;

  5. Gasolina, que representou US$1,13 bilhões em valor FOB.


Queda No Comércio Entre Os Estados Unidos e o Brasil Em 2020


Mesmo diante de um ótimo histórico com relação a comercialização e exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos, os dados atuais não tem sido tão promissores no que diz respeito aos números que envolvem essa parceria.


Em maio do ano de 2019, o governo brasileiro comemorou e exaltou a parceria comercial com os Estados Unidos e definiu esse momento como uma redefinição da diplomacia entre as duas potências americanas. Porém, essa parceria comercial tão almejada não saiu da idealização. De acordo com um relatório divulgado pela Amcham Brasil - a Câmara De Comércio Brasil e Estados Unidos da América - o comércio bilateral entre o Brasil e os EUA até setembro de 2020 alcançou os piores números em 11 anos. De janeiro a setembro de 2020, os dois parceiros transacionaram 33,4 bilhões de dólares, o que representou uma redução de 25,1% em relação ao mesmo período de 2019.


Segundo esta análise, as exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuíram 31,5% em comparação ao mesmo período do ano de 2019, representando um total de 15,2 bilhões de dólares, o que resulta no pior resultado desde o ano de 2010. O comércio entre os dois países não teve efeitos negativos somente para o Brasil nessa parceria, a potência sul americana também reduziu a importação de produtos oriundos do parceiro norte americano. Entre janeiro e setembro de 2020, o Brasil importou 18,3 bilhões de dólares dos Estados Unidos, o que relatou uma queda de 18,8%. Mesmo diante de números bem abaixo do esperado, os Estados Unidos continuam sendo o segundo principal parceiro comercial do Brasil, ficando atrás somente da China.


Alguns fatores podem explicar essa diminuição. A principal delas é a pandemia do Covid-19, que fez com que os números de consumo em todo o mundo diminuíssem devido às incertezas existentes no atual cenário mundial. Outro fator é o aumento da participação da China no mercado brasileiro, que apesar dos ataques feitos por membros do governo brasileiro, de acordo com diversos relatórios nacionais, o país asiático representou 28,8% de todas as transações feitas pelo Brasil. O último fator é a política protecionista adotada por Donald Trump em seu mandato, que tem como exemplo a proibição da entrada de produtos da siderurgia brasileira, visando proteger a indústria nacional americana.


O Que Está Em Jogo Com As Eleições Americanas?


Já foi visto que apesar de uma grande parceria entre os líderes dos Estados Unidos e do Brasil, a mesma não se refletiu em números no comércio bilateral entre os dois países. Questões como o ideal protecionista de Donald Trump e a tendência mais globalizadora do Partido Democrata de Joe Biden são levadas à mesa para um debate mais profundo sobre os benefícios e malefícios para o Brasil de acordo com quem vença as eleições americanas.


Com Trump, a relação comercial com o Brasil sofreu altos e baixos. Com intuito de fortalecer a amizade entre os dois países, o Brasil aumentou a importação de trigo e etanol americanos e aceitou as restrições às exportações das chapas de aço brasileiras. Tal fato resultou, depois de mais de 3 anos, na reabertura do mercado norte americano à carne bovina brasileira in natura. A expectativa então é de que, se reeleito, Donald Trump deve manter a cautela ao fazer concessões ao seu principal aliado sul americano e continuar aplicando políticas protecionistas que sejam interessantes para a sua política doméstica.


Com uma vitória de Biden, acredita-se que haja uma manutenção da boa relação com o Brasil pelo menos à curto prazo. Diante da influência chinesa cada vez mais forte, dificilmente Biden irá romper as relações com o governo brasileiro. Apesar disso, acredita-se também que temas como o desmatamento da Amazônia, que faz parte da pauta do eleitorado de Biden, podem ser ainda mais discutidos e posto em xeque com o governo brasileiro. Em um debate televisivo, Joe Biden prometeu a criação de um fundo de preservação da Amazônia, e se caso não for aceito pelo governo brasileiro, prometeu, também, impor sanções econômicas ao país. Caberá então ao governo brasileiro ser mais maleável aos novos termos desta conversa.


Uma Parceria Dificilmente Abalada


Fica evidente portanto que mesmo diante de um cenário não tão animador para o comércio bilateral entre os dois países, os EUA continuam ocupando uma posição de destaque frente aos demais parceiros comerciais do Brasil. O que comprova que mesmo diante de uma crise com precedentes internacionais, os Estados Unidos ainda podem exercer papel de destaque como destino das exportações brasileiras. Essa parceria dificilmente será extinta, apesar de um cenário de tantas incertezas, como as eleições americanas próximas e uma crise econômica mundial.


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