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  • Clarissa Domingos

Ramadan: De que forma esse período pode influenciar as exportações de carne no Brasil.

Atualizado: Mar 13



No último dia 6, teve início por parte da população islâmica no Oriente Médio o tempo em que se comemora o Ramadan, essa celebração tem início no nono mês do calendário islâmico e dura de 29 a 30 dias, a previsão de término para este ano é o dia 4 de junho. Nesse período mais de um bilhão de muçulmanos celebram a época no qual se iniciou a palavra do profeta Maomé. Durante esses dias, os fiéis se abstêm de diversos hábitos cotidianos que envolvem de não comer ou beber entre o nascer e o pôr do sol, à abstinência de certos vícios como fumo e bebida, além de abdicar também do sexo. Entretanto, mais que isso, os islâmicos acreditam que é um momento para exercitar a fé e renovar a conexão com Deus, é um período farto de boas ações, generosidade e perdão.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes possuem juntos cerca de 27 milhões de islâmicos em seus territórios e são os países árabes que mais possuem relação comercial com o Brasil, no ano de 2017 a Arábia Saudita teve um crescimento de 10,98% em suas importações, arrecadando US$ 1,37 bilhão em mercadorias. Já os Emirados Árabes tiveram aumento de 19,42%, com compras de US$ 1,08 bilhão, cumprindo assim, a tendência de crescimento anual desse montante. Uma vez que o Brasil já é considerado o maior exportador do mundo de carne Halal (certificado muçulmano), chegando a vender cerca de 5 bilhões de dólares por ano neste tipo de carne para o Oriente Médio e a Turquia.

O que muda durante o tempo do Ramadan?

Durante os dias que ocorrem o Ramadan as atividades comerciais reduzem-se consideravelmente nos países de proeminência islâmica e em alguns locais a jornada de trabalho chega a ter uma redução de até 2 horas, a fim de beneficiar os trabalhadores que aderem o jejum. Dessa forma, os negócios tomam um ritmo mais lento. Por esse motivo, vale a pena consultar aspectos relevantes como cultura e regras sagradas do país direcionado à exportação antes de o fechar o negócio.

Para os países que importam produtos a estes locais, os melhores momentos para a relação comercial se dão no início deste tempo de fé, onde os estoques são renovados para suprir os banquetes do Sahur e Iftar que ocorrem perto do amanhecer e após o pôr do sol em todos os dias. Ao fim desse período são esperados que se renovam os estoques e o ritmo de trabalho volta ao normal.

As compras tendem a subir após o final do Ramadan, dessa forma o melhor momento para exportações para o Oriente Médio está ao final deste ciclo, onde há reposição de mercadorias.

Mas de que forma esse período pode afetar economicamente o Brasil?

O Brasil possui relações comerciais com 57 países islâmicos, 22 deles árabes, o que acarreta certa de dois milhões de toneladas de carne por ano, sendo o maior exportador de carnes bovina e de frango para os países do Oriente Médio. A carne de frango é o produto destaque de exportação brasileira para esses locais.

Um tempo antes de dar início ao Ramadan, os países islâmicos procuram abastecer os estoques de produtos alimentícios, mesmo não realizando refeições durante o dia, nos horários de refeição, são realizadas tradicionalmente fartas refeições.

Por outro lado, o consumo também cai por ser um período em que os restaurantes estão fechados de dia e o consumidor turista é impedido de comprar nesses horários em diversos estabelecimentos alimentícios, por alguns deles terem seu horário de funcionamento limitando, fechando durante o dia e retornando apenas no turno da noite, isso acontece não só pelos diversos donos de estabelecimentos cumprirem com as regras da religião, mas também pela diminuição da demanda por parte dos consumidores locais.

O que é o Certificado Halal e porque ele é tão importante.

A palavra Halal no idioma árabe quer dizer autorizado, lícito, dentro das leis, ou seja, o certificado Halal é um documento no qual a carne deve ser produzida e inspecionada de acordo com a cultura dos muçulmanos em todas as etapas desde a produção até a comercialização do produto. Apenas dentro desse processo é que a carne está “permitida” para o consumo.

O processo no qual a carne deve passar para esta de acordo com esse certificado consiste em algumas ações peculiares, porém não muito complexas. O abate deve ser realizado por um muçulmano conhecedor dos fundamentos da religião é do abatimento de animais no Islã. Além de utensílios próprios para a ação: a faca deve estar bem afiada e deve ser usada em locais específicos do animal para seja minimizado o sofrimento, durante a execução o abatedor deve proferir as seguintes palavras “Em nome de Alá, o mais bondoso, o mais misericordioso” a fim de que o animal seja abençoado antes de se tornar alimento. Todo o processo deve ser realizado e inspecionada por muçulmanos para que se cumpra todo o ritual de acordo com as regras estabelecidas pela religião.

Este certificado é emitido por uma instituição certificadora Halal que é devidamente reconhecida pelos países islâmicos, para certificação de que o produto está de acordo com os pré-requisitos legais da religião. Como esse é um certificado necessário para a exportação à esses países, a busca por ele tem expandido entre os produtores brasileiros de carne, a fim de uma maior aproximação com os compradores de países Islâmicos.

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